Vol. 7 Núm. 13 (2021): Transitar el espacio: imágenes cartográficas, relatos y experiencias sobre el terreno (siglos XVI-XX)
Tema Central

Dos livros-navios aos livros-mapas: o saber dos viajantes europeus e dos nativos na construção da cartografia da África meridional no século XVIII

Publicado 2021-12-17

Palabras clave

  • África,
  • Dom Luis da Cunha,
  • mapas geopolíticos,
  • povos africanos,
  • intertradução

Cómo citar

Furtado Ferreira, J. (2021). Dos livros-navios aos livros-mapas: o saber dos viajantes europeus e dos nativos na construção da cartografia da África meridional no século XVIII. Claves. Revista De Historia, 7(13), 33–62. https://doi.org/10.25032/crh.v7i13.3

Resumen

As representações geográficas da África meridional nos mapas produzidos pelo geógrafo francês Jean-Baptiste Bourguignon D’Anville se basearam nos relatos de viagem de navegadores, missionários, militares e funcionários portugueses e agentes a serviço da VOC neerlandesa, que frequentaram a parte sul do continente entre os séculos XV e XVIII. Eles registraram não só o que esses viajantes observavam enquanto se deslocavam pelo território, mas também o que não era possível de ser visitado, mas tornava-se conhecido pelo que lhes informavam os povos com quem entravam em contato, pois até a primeira metade do século XVIII, o conhecimento da geografia do sertão meridional africano era dependente do saber dos nativos porque a região era em grande parte desconhecida dos europeus. Esse artigo discute como os relatos de viagem europeus e os informes geográficos dos africanos foram reapropriados, no século XVIII, para a construção de uma cartografia europeia da África, centrando-se no projeto savant do embaixador português dom Luís da Cunha de patrocinar a publicação em francês de manuscritos portugueses acompanhados de mapas – os livros-mapas – que se tornaram poderosos instrumentos de intertradução do conhecimento geográfico da parte meridional do continente africano.

Citas

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