Os (des) caminhos de uma utopia em direitos humanos: uma análise das três décadas da constituição federal brasileira

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Rosângela Angelin
Celso Gabatz

Resumen

Os Direitos Humanos se consolidaram como instrumentos primordiais às situações drásticas no âmbito das relações sociais. Serviram como propulsores da dignidade humana, ampliando o espectro de conteúdos, sobretudo, na perspectiva da justiça social, soberania popular e respeito às diferenças. Mesmo conquistando um lugar estratégico em diferentes textos constitucionais, a sua efetivação sempre se mostrou bastante complexa. Em grande medida, pelo fato de que as prerrogativas ligadas aos Direitos Humanos sempre estiveram submetidas às forças do poder vigente. Esta questão pode ser vislumbrada também quando se descortina de forma crítica os trinta anos da promulgação da Constituição Federal Brasileira. Ainda que o seu teor esteja sublinhado por uma reiterada expectativa utópica acerca dos Direitos humanos, é imperativo observá-la numa dinâmica que a transformou, com o passar do tempo, em uma espécie de imaginário ou simulacro daquilo que abarca o cotidiano das relações sociais. Pergunta-se, neste artigo, se a Constituição Federal de 1988 ainda se impõe como instrumento propulsor voltado para uma utopia possível em Direitos Humanos, consoantes a um Estado democrático e de direito. Nossa intenção, nesta abordagem, é, pois, analisar os trinta anos de sua existência na perspectiva das forças antagônicas que a moldaram, acentuando possíveis desafios, frustrações e limites, mas, ao mesmo tempo, também divisar conquistas que possam ilustrar a concretização de utopias engendradas pelos seus dispositivos.

Imagen de portada: Burocracia 3 (1988) / óleo sobre tela (cm. 94 × 129)

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Sección
Dossier
Biografía del autor/a

Rosângela Angelin, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguay das Missoes (URI); Campus Santo Angerlo, RS, Brasil

Pós-Doutora pela Faculdades EST (São Leopoldo-RS). Doutora em Direito pela Universidade de Osnabrück (Alemanha). Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação stricto sensu – Mestrado e Doutorado em Direito da Universidade Regional integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus Santo Ângelo/RS e da Graduação de Direito dessa Instituição de Ensino Superior. Líder do Grupo de Pesquisa (CNPQ): Direitos de Minorias, Movimentos Sociais e Políticas Públicas e do Projeto de Pesquisa Direitos Humanos e Movimentos Sociais na sociedade multicultural. Vice-Líder do Núcleo de Pesquisas de Gênero, vinculado a Faculdades EST (São Leopoldo/RS). Integrante da Marcha Mundial de Mulheres.

Celso Gabatz, Programa de Posgraduacao das Facultades EST (Sao Leopoldo), RS, Brasil.

Pós-Doutorando e Professor Colaborador no Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) das Faculdades EST (São Leopoldo-RS). Bolsista do PNPD/CAPES. Doutor em Ciências Sociais pela Universidade do Vale dos Sinos (UNISINOS). Mestre em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Graduado em Sociologia, Teologia e Filosofia. Integrante dos Projetos de Pesquisa Religiões e Sociedade, vinculado ao Programa de Pós-Graduação stricto sensu (Mestrado e Doutorado) em Ciências Sociais da Universidade do Vale dos Sinos (UNISINOS) e Teologia Pública na América Latina vinculado ao Programa de Pós-Graduação stricto sensu (Mestrado e Doutorado) em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

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